segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

BR 135+ Ultramarathon 2015

Distância:  216 Km;
Tempo:  27 horas e 30 minutos;
Local: São João da Boa Vista (SP) à Paraisópolis (MG);
Nos dias 14 a 18 Jan 2015 foi realizada, à XI edição da BR 135+ Ultramarathon.  Essa Ultramaratona tinha até ano passado 135 milhas, ou seja 217 Km. Este ano, ela cresceu para 175 milhas - 281 Kms. Este ano só teve as Categoria Solo, Dupla e Quarteto, não sei informar o porque o organizador da prova retirou as Categoria Trio e Survivor.

Em 2014 competi em Trio juntamente com os amigos Carlos Zuma e Henrique Ferreira conquistando a 3ᵃ Colocação Geral. Quando abriu as inscrições falei com um amigo para ver se faríamos uma dupla em 2015, sendo que o mesmo ficou enrolando e as inscrições encerraram-se e então acabei não realizando a inscrição e já que não iria participar desta ultra este ano, não fiz muita questão de realizar treinos longos. Aí alguns dias antes da realização desta, recebi uma ligação da amiga e Doutora Maria Vargas me convocando para ser Pace do André Castro que veio de Portugal para correr essa Ultramaratona na categoria Solo, informei a ela que não estava preparado ainda mais que não estava treinando para isso, mesmo assim ela fez questão que eu fosse, então missão dada e como não sou de fugir dos desafios, informei que iria.

Saímos do Rio de Janeiro Eu, André Castro e Loyola na 3a feira dia 13 Jan 2015 às 07 horas da manhã e chegando em São João da Boa Vista - MG às 16 horas, de carro é uma longa viagem dando 9 horas de viagem. Chegando lá fomos direto para a UNIFAE (Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino) pegar o kit da prova e revimos alguns amigos, pois o Congresso Técnico já havia terminado o  bom que esse ano os alimentos exigidos no regulamento dessa prova foi entregue no mesmo local do kit e não igual ao ano passado que tínhamos que ir em outro local entregar os alimentos primeiro e depois pegar o Kit. Este ano não teve a pulseira chip que nem ano passado, este ano os atletas tiveram que baixar o APP da prova no celular (Só que durante o percurso da prova não funcionou porque a internet no celular não pegava). Após isso fomos a caça de hotel, cidade pequena e com um grande evento já viu né, hotéis praticamente quase todos lotados, mas achamos o Hotel Fazenda Nobre, nos instalamos e mais tarde fomos jantar, após isso fomos para a Dutra aguardar chegada do segundo carro de apoio a Doutora Maria Vargas e seus familiares (Sandro, Isabel e Duda) chegaram por cerca das 23:30 horas da noite e fomos para o hotel descansar.
A caminho da BR 135+
Na entrega do Kit
Já na 4a feira dia 14 Jan 2015 acordei por volta das 08 horas da manhã, fui tomar café da manhã, almoçamos mais tarde e a tarde fomos preparar o carro de apoio, saímos do hotel em direção a UNIFAE por volta das 19 horas, chegando lá já haviam vários amigos corredores fazendo a maior festa. Após algumas palavras do Organizador da Prova (Mário Lacerda) e após o canto do Hino Nacional às 20 horas em ponto foi dada à largada. Após a largada entramos no carro para dar apoio ao André durante o percurso a minha missão nessa prova era acompanhar o André no percurso onde o carro não poderia passar (Seria nos Kilômetro 9 e na parte final), mas corri muito mais do que isso ainda mas que a adrenalina estava alta.
Na largada com a Equipe de Apoio
André...Partiu...
Antes de chegar a primeira montanha onde os carros não passam, fui registrando o percurso filmando e tirando fotos da galera. Após chegarmos na entrada que dava a montanha onde o carro não passava, soltei do carro, pus a mochila nas costas e esperei o André chegar e dei a mochila dele, o corpo não estava aquecido e lá fomos correndo montanhas acima, na parte inicial sofri um pouco porque o corpo não estava aquecido, mas depois de alguns Kms morro acima o André abriu a velocidade e disse para ele, André vai na frente que vou te seguindo, sendo que como estava a noite não deu para ver onde estávamos, eu, André e mais uns dois corredores não achamos os pontos luminosos ou setas e erramos o caminho por cerca mais ou menos de uns 20 metros foi quando alguns corredores que vinham mais atrás nos gritaram dizendo que acharam a seta e retornamos pulando por baixo de uma cerca e continuamos no caminho, como este ano a largada foi a noite, mesmo com lanterna na cabeça deve se tomar muito cuidado para percorrer nesse percurso inicial da prova, pois tem muitas raízes de árvores sobrepostas e pedras soltas, tem que se tomar muito cuidado para não tropeçar e cair, então fui tomando esse devido cuidado e falando com o André para ele tomar cuidado e não se machucar, já na descida conseguir chegar até o André e fomos também descendo com cautela porque no percurso tem muitas pedras soltas e se o atleta levar um tombo nessa área do percurso, bau, bau já era a prova.
- Pois chegamos a primeira cidade Águas da Prata, às 22 horas da noite, tinha corrido uns 9 Km de pauleira de montanhas acima com o André, entrei no Carro de Apoio e o André foi seguindo em direção ao Pico do Gavião. 
- Chegamos no alto do Pico do Gavião à meia noite, onde o André já era o 4 Colocado Geral na prova ultrapassando o Eduardo Calixto onde o André fez o registro no controle da prova e logo em seguida descemos morro abaixo;
- Após descermos o Pico do Gavião antes de chegar a cidade de Andradas o André  estava em 3ᵒ Colocado onde conseguiu ultrapassar o 2Colocado (Farinazzo) e mais a frente ultrapassado o Oraldo ficando em primeiro lugar nem acreditei no feito e isso já era 01 hora da manhã, aí transmitir a toda equipe e inclusive ao André que não era para se empolgar com o primeiro lugar que ainda tinha muita prova para rolar;
- Chegamos em Andradas às 02:30h da manhã;
- Serra dos Lima às 03 horas e 06 minutos da manhã com 77 Kms percorridos;
- Barra às 04 hora da manhã com 84 Kms percorridos;
- Chegamos em Crisólia às 04:25 h da manhã, onde nos perdermos, mas não foi por muito tempo e conseguimos entrar no caminho certo;
- Às 06 horas da manhã chegamos em uma cidade que não lembro o nome e o André parou por alguns minutos para trocar de tênis e roupa e mais a frente a equipe de apoio parou numa lanchonete para comprar o café da manhã, comi um pedaço de bolo e um copo de café e leite e seguimos em frente para alcançar o André e o Sandro que tinha ido no Carro de Apoio;
- Já no dia 15 Jan 2015 não lembro a hora passamos pela cidade de Ouro Fino;
- Às 07 horas da manhã ainda estávamos em primeiro lugar e com mais de 100 Km percorridos;
- Às 08 horas da manhã chegamos a cidade de Inconfidentes com 12 horas de prova e com 115 Km percorridos;
- Às 09:50 horas da manhã chegamos a um topo da montanha onde o André apresentou exaustão, vomitando em seguida, fizemos ele parar por alguns minutos, fizemos ele tomar um gavison para melhorar o estômago e logo em seguida retornou a correr, após descermos essa montanha vi que o André estava sentindo dores e chamei a Dra. Maria Vargas para dar um remédio e fazer massagens no gajo;
- Alcançamos Borda da Mata às 10 horas e 52 minutos da manhã onde o carro de apoio parou para esquentar uma sopa para dar para o André comer;
- Às 11 horas da manhã ainda na Cidade de Borda da Mata o Eduardo Calixto que era o Segundo Colocado Geral da prova conseguiu nos ultrapassar ficando momentaneamente em Primeiro Colocado da prova, com isso falamos para o André seguir em frente que iríamos preparar a sopa dele e levaríamos. Ainda nessa cidade reparamos que o Eduardo Calixto também estava exausto e fui correndo com o André atrás do Eduardo perseguindo o Eduardo devagar, o André fez uma rápida ultrapassagem ficando novamente em primeiro lugar, mas a Equipe de Apoio do Eduardo fez ele nos ultrapassar novamente, disse para o André e a Equipe de Apoio que não era para se desesperar porque ainda tinha muita prova para rolar;
- Chegamos em Toco de Mogi às 14 horas da tarde;
- Às 17 horas da tarde onde estávamos descendo uma montanha o André apresentou novamente exaustão disse para a Doutora Maria Vargas para-lo para fazer uma massagem e assim foi feito onde o André pode voltar para a prova;
- Às 20:30 horas passamos por Consolação com 185 Kms percorridos;
- Quando começamos subir as montanhas que dava na cidade de Paraisópolis às 21:40 horas da noite, num determinado trecho do percurso, conseguimos alcançar o primeiro colocado da prova o Eduardo Calixto onde o mesmo estava sentado se recuperando com sua equipe. Ficamos felizes, mas tivemos que parar novamente por alguns minutos para preparar outra sopa para o André, com isso a Equipe de Apoio juntamente com o Eduardo saíram para correr no percurso.
- Falamos com o André para não parar e seguir na prova que iríamos fazer a sopa e levar para ele e assim foi feito, quando chegamos com o carro de apoio junto ao André verificamos que a frente o Eduardo Calixto estava caminhando com sua Equipe de Apoio mais ou menos a uns 10 metros de distância o André seguia atrás dele, demos a sopa para ele e o André me disse que era para retornar para o carro de apoio para poder descansar que iria precisar de mim nos restantes final da prova, mas não tinha como descansar, fui caminhando com o André durante a subida da montanha e disse para o André se você tá bem, você não tem que ficar indo devagar atrás do Eduardo Calixto, faça a sua prova, daí ele começou a correr num trotinho bem devagar e ultrapassou novamente o Eduardo Calixto e nós ficando em Primeiro colocado novamente na prova, nem estava acreditando no feito do Primeiro colocado novamente;
- Às 23:30 horas da noite aconteceu o que não deveria ter acontecido André começou a sentir-se muito mal e as pernas deles travaram de um jeito que não conseguia dar um passo a frente, nem mesmo andando...putz logo agora que tínhamos recuperado a primeira colocação novamente...Disse para a Dra. Maria Vargas deitar ele, dar um remédio, fazer massagens e para-lo por cerca de meia hora e assim foi feito, mesmo assim o Eduardo Calixto tinha ficado para trás e continuávamos em primeiro colocado na prova isso era bom, após esse período de descanso acima falei para a Dra. Maria Vargas verificar como estava o André ela foi até ele e o mesmo disse para descansar mais um pouco, putz...a Equipe ficou apreensiva, mas se era necessário descansar, assim foi feito e disse para o André, que era a primeira prova dele, que era para ele descansar que o  mais importante naquela hora era a saúde dele e que se ele completasse a prova depois não importando com a colocação da prova;
- O Farinazzo que estava em terceiro colocado na prova, ultrapassou o segundo colocado Eduardo Calixto que estava nas montanhas mais abaixo e a meia noite o Farinazzo passou por nós se tornando o primeiro colocado da prova...putz...juro que na hora bateu uma angústia danada, mas não podia fazer nada, em primeiro lugar a saúde do atleta e a 01 hora e 16 minutos da manhã passa por nós caminhando o Eduardo Calixto sendo o segundo colocado;
- Às 02 horas da manhã o André decidiu voltar para a prova, estava em terceiro colocado geral na prova o que animou toda a equipe, pois ele voltou a andar devagar por alguns metros, mas como ele ficou parado descansando por mais de 3 horas o corpo esfriou e isso é muito ruim para o atleta e novamente o André não aguentava mais nem andar passando mal novamente, a angústia novamente apareceu o André naquele momento nos disse que estava desistindo da prova, para mim foi um choque, fiquei anestesiado com a notícia, a equipe reuniu e decidiu não continuar mais na prova para zelar pela saúde do atleta...Corremos 216 Kms faltava apenas 02 cidades com menos de 60 Kms para finalizar. Todos ficaram tristes mas foi necessário. Disse para o André que a vitória dele estava adiada, demos forças para ele conversamos muito com ele e chegamos em Paraisópolis e tentamos achar algum fiscal da prova para informar o ocorrido e não achamos. Achamos um hotel nessa mesma cidade e descansamos até por volta das 8 horas da manhã, decidir ir para fora do hotel para ver se conseguia ver alguns atletas passando, vi o Marcelino e o Ariovaldo chegando a cidade dei forças para ele e eles prosseguiram em frente, começamos a arrumar o carro novamente para voltarmos para o Rio, foi quando chegou de carro os amigos Zequinha e sua esposa Nelina, pois ele vieram do Rio para dar forças aos atletas (obrigado). Após tudo arrumado retornamos para o Rio e assim chega ao fim da saga da BR 135+ Ultramarathon estávamos praticamente com a vitória nas mãos e por obra do destino não aconteceu.
Algumas cenas marcantes desta Ultra

Todas as fotos do evento estão aqui.

Palavras do André Castro:
O que eu aprendi? Que os meus limites estão muito mais próximo do que imaginava. Que consigo, estupidamente, arriscar a minha integridade física. Que tenho um longo caminho de aprendizagem pela frente e especialmente a minha mente, precisa de muito trabalho. O que é que levo daqui? Uma gratidão extrema pela Maria e sua família, que me acolheram carinhosamente durante o processo de treino exaustivo, que me melhorou não só enquanto atleta, mas fundamentalmente como pessoa. Um apreço enorme pela Equipe de Apoio durante a BR 135+, que incansável para tentarmos alcançar a meta. Senti-me como doente grave, a ser monitorizado constantemente e cada necessidade a ser prontamente satisfeita. Vocês foram fantásticos! Reparo agora na imensa corrente de apoio que se formou junto dos meus amigos e conhecidos através das redes sociais. Muito obrigado a todos que me ajudaram nessa empreitada!!!


Minhas Palavras
O André está de parabéns por tudo que fizeste nessa prova, pois nunca tinha corrido uma distância dessas, a maior distância que tinha percorrido foi uma Ultramaratona em Portugal chamada Ó meu Deus de 160 Km, ele resistiu bravamente, até mesmo quando passou mal pela primeira, segunda e terceira vez e não desistiu se ele continuar correndo Ultramaratonas ele terá um grande futuro pela frente nas Ultramaratonas...A Brazil 135+ Ultramarathon ela não é fácil, tem que se fazer um bom planejamento para correr esta prova, tanto o atleta correndo, bem como toda a Equipe de Apoio tem que estar em sintonizada em harmonia para que tudo de certo. Ser selecionado para essa prova e correr a mesma já é uma grande vitória, vencer é um feito majestoso, tem suas características de dificuldades, pois ela engana, só em subir e descer várias montanhas difíceis com temperaturas alternadas tira completamente a cadência, quebrando o ritmo do atleta e do pace, não é fácil ser ponta e acompanhado de Ultras de pontas através dos Kms rodados, vai minando a mente, somente a fé em Deus, tem que acreditar nas suas próprias forças que faz do atleta a sua consagração, por isso ela é feita no caminho da fé. Pois pela primeira vez fui PACE e Staff ao mesmo tempo em uma Ultramaratona e digo mais não é nada fácil correr ao lado de um atleta, indo e voltando é adrenalina pura. Aprendi muito, só quem correu essa prova sabe o que estou falando, prova com um difícil percurso, infelizmente a vitória não veio, digamos que ela foi adiada, mas valeu correr cada Km dessa prova. Bom já corri 2 edições dessa prova e estarei lutando para que ano que vem consigo apoio por parte financeira para que eu corra na categoria Solo.

Parabéns a todos participante da BR 135+ Ultramarathon e em especial a toda Equipe de Apoio (Maria Vargas, Loyola, Sandro, Isabel e Duda).

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