segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Depoimento de Raphael Baiense - Rocinha de Braços Abertos

UM BONDE DE CORREDORES INVADIRAM A ROCINHA


Eu tive o grande prazer de desbravar os 10 Km mais difíceis da minha vida nas difíceis subidas, descidas, pirambeiras, escadarias, becos, trilhas, vielas, asfalto paralelepípedo e lama.

Esta prova não deixa a desejar a nenhuma de aventura, sobretudo pelo elevado grau de dificuldade das ladeiras.

Não posso deixar de destacar a presença maciça dos moradores que interagiram diretamente com os corredores dando um forte incentivo, em forma de aplausos, salva de palmas e gritos de motivação.

Eu procurei me comunicar o tempo todo com eles, logo na primeira subida na Estrada da Gávea, já dava para ver que a comunidade nos aguardava literalmente de braços abertos, uma vez que as calçadas dos bares, padarias, lanchonetes estavam repletas de pessoas assistindo a prova, muitos ficavam rindo dos trajes exóticos de alguns corredores, inclusive do meu, outros só assistiam os "loucos"subindo.

Também na Estrada da Gávea encontrei o amigo Jorge Cerqueira, que estava correndo com a sua câmera filmando a prova.

Subi a rua Divinéia momento em que observei alguns corredores caminhando, mais a frente a "surpresinha", uma escadaria bem estreita, subi e cheguei ao Parque Ecológico, em seguida os grupos se dividiram, a galera dos 5Km foi em direção a Rua 1 e o pessoal dos 10Km partiu em direção a ladeira do Lamboriaux "PUNK!!!".

Neste momento seguindo orientações técnicas, deixei o orgulho de lado e passei a caminhar, como não queria subir tudo caminhando dava de três a quatro passos largos e corria quatro ou cinco passadas, como enfrentamos muitas curvas busquei as tangências durante todo o percurso e assim foi, não via à hora de concluir a Lamboriaux.

Na sequência passei por uma quadra de futebol e continuei o percurso por uma trilha fechada (Trilha do XTERRA), local onde a temperatura estava bastante agradável, no entanto tive que aumentar a atenção para evitar um acidente, já que o terreno era escorregadio e bem acidentado, com pedras soltas, raízes, lamas, galhos e troncos de árvore no meio do caminho, como sempre existem os apressadinhos, ao passar por um lamaçal tive que desviar de um deles e acabei atolando os pés na lama, mas tudo bem!

Passamos a trilha descemos umas escadas e enfrentamos a subida de mais uma escadaria para chegar novamente a Estrada da Gávea, local em que deu para dar um gás, já que eram várias descidas, dando inclusive para fazer novas ultrapassagens sem perigo.

Quando já estava ficando fácil me deparei com mais uma subida na Rua Sérgio Porto, detalhe o chão é de paralelepípedo, mas uma tive que conciliar caminhada e corrida, logo já estávamos novamente dentro do Beco do 199, local cheio de escadas e vielas.

Na Rua 1 passei por vários lugares bastante estreitos e desnivelados, com fios emaranhados bem perto da cabeça, além de galhos e raízes de árvores e também muitas quinas de marquises, às vezes passávamos por verdadeiros túneis bastante abafados e mal iluminados, mas sempre com policiais do BOPE, do CHOQUE ou do Batalhão Florestal fazendo a segurança.

Num dado momento ao descer uma viela no Beco do Cesário, vinha subindo uma mulata de vestido de oncinha tomara que caia um palmo acima dos joelhos e com um "pernão" e uma bela marquinha de biquíni, não deu outra, tive que elogiar. "que marquinha e essa hein?"  para minha surpresa a mulher parou se virou para  mim colocou a mão na cintura e disse "oi delícia!" a rapaziada que vinha atrás gritou empolgada "para, para vai lá falar com ela!" continuei a minha prova dizendo "foi só um elogio!"

Ao encarar mais uma descida nas escadarias um corredor acabou escorregando e caindo de costas no chão, por sorte foi só um tombo sem gravidade, a fatura chegará horas depois, mais a frente eu quase cai ao escorregar em um piso com esgoto, óleo de cozinha e terra, dei um verdadeiro "slide", mas acho que a base do skate me ajudou neste momento, visto que consegui me equilibrar e evitar a "vaca", ou melhor, a queda.

Ao passar pelo Beco do Galo Nervoso, notei certo estresse, já que um morador que estava sentado na porta de sua casa assistindo a prova não se conteve e passou a mão no traseiro de uma corredora que ficou indignada e comunicou o fato a um Soldado do CHOQUE que deslocou para tomar providências, não me contive e cantei "já me passaram a mão na bunda e ainda não passei ninguém!"

Como faltava pouco para concluir a prova ao chegar à Via Ápia aumentei o ritmo rumo à linha de chegada, logo já estava na passarela que liga a Rocinha ao Complexo Esportivo, momento que ainda consegui fazer algumas ultrapassagens, ao entrar na reta final "sentei a bota"tendo concluído a prova em 57min 29seg.
Sem dúvida, esta foi a prova mais alucinante que eu já corri, nunca senti tanta dificuldade principalmente pelo percurso com várias subidas, o lactato queimava as minhas pernas pernas de uma maneira que nunca havia sentido, mas mesmo assim foi sensacional a experiência de correr com o incentivo da comunidade, tocar as mãos a experiência de correr com o incentivo da comunidade, tocar as mãos das crianças e curtir um percurso que até pouco tempo atrás era considerado inóspito e completamente hostil por conta do domínico do tráfico.

Valeu Jorge Ultra!

KEEP RUNNING!

Raphael Bahiense

3 comentários:

Lílian disse...

Show, Raphael Bahiense!!!! Parabéns!!!! Bjs!

Paulo Corrida de Rua BH disse...

Corrida bem diferente, e pelo comentado bem difícil.
Parabéns a todos.

Carlos Magno. disse...

Parabéns Raphael!!!
O comentário da corrida foi show, mesmo sendo uma tarefa árdua, você conseguiu descrever bem a sensação de correr uma corrida desse nível de dificuldade e diversidade!
E olha eu ali na foto, uHuL!

Valeu rapaz, grande abraço!
Carlos Magno.