terça-feira, 16 de abril de 2013

Preconceito chega à corrida de rua

Por Matheus Henrique
Ribeirão Preto
Corro há alguns anos e vejo uma mudança muito grande no esporte como um todo.
Tecnologias e ciência do esporte, organizações e até na própria população corredora.
Muita gente nova e, cada vez mais, a população jovem vem participando, com incentivo sempre de alguém mais experiente.
Porém, devido ao crescimento exacerbado do número de pessoas que buscam a promoção da saúde na corrida de rua, junto veio  o mercado da corrida.
Empresas organizando corridas maravilhosas e outras nem tanto. Porém, sem se preocupar, na maioria das vezes, com o principal. Quem é mais uma vez? Nós! Isso mesmo: os corredores.
Já participei de todas as corridas da minha cidade e várias no sudeste e algumas mais distantes.
E vou contar pra vocês: muitas realmente valeram o valor e outras eu tirei do meu calendário, pois não merecem nem ser lembradas.
Cada vez mais empresa vem explorando o público corredor, principalmente os iniciantes que usam dos eventos de corrida de rua para treinamento às vezes.
Resolvi escrever aqui e compartilhar com vocês minha decepção  para com a empresa latin sports e ao mesmo tempo, a revolta para com uma campanha publicitária preconceituosa por eles criada, http://www.latinsports.com.br/pipocas/ confira você mesmo a vergonha que tarja um tipo de corredor como “corredor pipoca”,  um nome muito conhecido por corredores de rua dado a aqueles corredores sem inscrição. Isso pra mim é incitar a violência. E pra você não?
Não quero ficar aqui discutindo se é certo ou não correr o evento sem inscrição, porém acho de muito mau gosto a campanha, pois amanhã um coitado poderá ser humilhado e mal visto por pessoas que, na verdade, estão ali somente praticando um esporte.
Na verdade não podia ser diferente: a empresa que está com a campanha organiza as provas mais caras do país.
Devido ao público que sempre é  novo no meio e ainda paga sem perceber a exploração. Ou paga para não sofrer preconceito, já que é estimulado pela organização.
A empresa preconceituosa devia ver o conceito da palavra preconceito. Segue:
Preconceito (prefixo pré- e conceito) é um "juízo" preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude "discriminatória" perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são: social, "racial" e "sexual".
No Brasil, preconceito é crime, de modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada "estereótipo".
É isso aí, pessoal, muito triste, em um mundo cheio de preconceitos, discutir preconceito.
De qualquer forma  vejo com muito pesar essa atitude, pois carregamos um monte de nomes de patrocínios nas camisetas e não são para que menosprezem ninguém.
Órgãos federais envolvidos por quê? A Caixa patrocina por quê? Será que sabe que tem preconceitos infundados envolvidos?
Será que as empresas ali envolvidas no apoio ao evento sabe do que se trata?
Será que o pipoca não compra tênis? Não bebe isotônicos?  Não compra materiais esportivos?
E as assessorias de corridas que, muitas das vezes, precisam levar alunos devido à propaganda que as empresas fazem, será que ele tem que pagar pra trabalhar? Pois a maioria, tenho certeza,  por eles nem ali estariam.
Então a dica é: faça diferente: motive seus alunos a não participar desses eventos. Motive-os a gastar esse dinheirão sem valor com ele mesmo, corra em outros lugares, motive a participar de provas diferentes que valem a pena.
Então não entendo o grande motivo já que todos ali estão ganhando.
Tem inscrições mais em conta para  idosos? Como manda a lei.
Tem número de inscrições a preços populares? Para justificar o prejuízo?
Não o prejuízo é justificado pela falta de capacidade de organizar e fazer sem ter que pôr a culpa nos outras pessoas. Bem vindo à evolução.
Nós precisamos boicotar corridas desse tipo ou fazer com que mais pessoas participem sem inscrição para que realmente atrapalhe a organização e aí eles façam fechado como eles querem ser.
O que não podemos é deixar cada dia mais preconceitos surgirem em nossas voltas e aceitarmos.
Viva o esporte, a integração e se, caso amanhã, por qualquer que seja o motivo, quiser correr uma corrida e não fez sua inscrição, participe.
Ninguém pode proibi-lo e, se sofrer preconceito, denuncie em uma delegacia mais próxima ...
Vá e divulgue.
Obrigado.

27 comentários:

Victor Caetano disse...

PQP! Quem pensou nessa campanha deve ter um sério problema. Não é gerando preconceito que vai resolver. Sou a favor sim de explicar as vantagens de se estar inscrito em uma prova, mas deve jeito mandaram muito mal.

Abraços

Paulo disse...

Concordo com algumas coisas que expôs. Sugiro que leia este post: http://numerodepeito.blogspot.com.br/2013/04/nao-me-convidaram-pra-esta-festa-pobre.html , com o qual eu compartilho minha opinião.

Abraços!

Paulo
Corre Coração

Luiz Souza disse...

Excelente post Jorge.
Meus parabéns
Quando eu vi essa "campanha" escrevi também:
http://www.corridasdoluizz.com.br/2013/01/pipoca-so-e-bom-no-cinema.html

Absurdo mesmo. Hoje tentama todo custo implacar provas caras e com um "diferencial" segundo eles, mas que de diferencial mesmo é só o custo.

Abraços

ivana. disse...

Com duas palavras, somente : "Na mosca" ... Meu carinho e admiração, bons treinos, amigo.

Anônimo disse...

Concordo contigo meu irmão, e olha que eu NUNCA fui de pipoca...da vontade até de ir só pra provocar esse povo preconceituoso...por trás um baita mkt.
Fabiani Dutra

Corredora Feliz disse...

Também já escrevi a respeito do assunto http://www.felizcorrendo.com/2012/09/direito-constitucional.html e até cito O Jorge, que me fez pensar em meu direito constitucional de ir e vir. Discriminar não!
Abraços Jorge e bons treinos

Anônimo disse...

Sinceramente, não vejo dessa forma. Espaço é o que não falta para se praticar corrida. O atleta não precisa pagar para correr em lugar nenhum. Portanto, é razoável que não se estimule a pipoca, evitando sim possíveis prejuízos a quem pagou e até a truculência por mim observada em algumas ocasiões.

Fernando Silva

Anônimo disse...

Boa ! Jorge Ultramaratonista passei por isso na prova neste domingo dia 14 04 13 na Ecorrida ... fui lá de treino como custumo dizer ... na hora da chegada não queriam me deixar passar por dentro para chegar na linha de chegada ... falei muito sobre a falta de respeito com nos corredores ...Mas consegui passar e deixei minha revolta filmando na linha de chegada .... O aterro do flamengo e um espaço publico não podem nos barrar a treinar .... Viciaram a nos correr e agora não colocam o preço justo para nos poder fazer as incrições E PARTICIPAR DE TODAS ... VALEU ! TAMOS JUNTOS !
Edgar Medeiros

Anônimo disse...

Essas empresas capitalistas não estão nem ai p o esporte ou saúde, eles querem é encher os cofres e pronto. Eu, se fosse escolher $$$ iria em muitas corridas, mas não tenho $$$ p td isso, dai escolho as não comerciais e pago a inscrição, o resto vou, corro e pronto. Ultimamente percebo muitos participantes exibindo seus números de peito e dizendo ironicamente: "É pipoca"... Isso é puro pré conceito que os capitalistas selvagens incutiram na pobre cabecinha deles. temos que nos unir!!
Regina Petrelli

Ultra Sandrinha disse...

PARABÉNS ao MATHEUS HENRIQUE pelo belo e lúcido texto. Concordo com tudo, em gênero, número e qualidade... Isso aí. Corrida é um esporte democrático e estão fazendo do nosso esporte meio de vida. E na esperteza. Cabe a nós a decisão pra fazer a coisa continuar, piorar ou parar. Abraços pro meu amigo Ultra Jorginho que teve a ideia de postar aqui pra nós.

Anônimo disse...

Sinceramente, com o respeito devido às divergências eu discordo parcialmente do seu texto. É inegável que os preços das corridas estão ficando extorsivos, exorbitantes, fora da realidade de um esporte que deveria ser mais democrático. Todavia, também não entendo a conduta da pessoa que resolve participar de uma prova sem pagar o valor da inscrição. A melhor forma de protestar diante de uma prova que tem a inscrição cara é não participando. Quer queira ou não o evento também tem um custo, e assim como quase tudo na vida visa o lucro. Por acaso é diferente noutros esportes. O correto é a gente cobrar do poder público a realização de eventos a preços módicos ou gratuitos para que todos, sem exceção, possam participar também. Quanto às prova "comerciais", como diz um amigo: "o meu dinheiro elas jamais verão".
Claudio Alexandre Onofre

Anônimo disse...

Com todo o respeito a opinião discordante fica a pergunta: Como exigir uma prova com mais qualidade do organizador se ele dimensiona a prova para, por exemplo, 3.000 pessoas e no dia aparecem 4.500? Não há planejamento que resista a esse tipo de coisa. É justo, por exemplo, que quem não pagou inscrição desfrute de todos os confortos oferecidos pelos que pagaram, por exemplo, agua, isotônicos etc? Por que dar um treino, como alguém falou aqui, justamente no dia e mesmo local da corrida quando todos nós sabemos que até pela quantidade de gente não se consegue "treinar" tão bem assim com tanta gente junta; não dá para ter a postura de só reclamar, reclamar e não ponderar com a visão do outro.

Anônimo disse...

Complementando o que disse faço a seguinte indagação: Essa provas internacionais que tanto são comentadas aqui no Brasil pelo primor de organização, conforto etc, permitem que quem não se inscreveu (independente de ser pago ou não hein)entre nas baias, corra, utilize hidratação, enfim faça tudo que um inscrito pode fazer, mesmo não tendo feito a inscrição? Será que é isso mesmo, será que essas provas tão admiradas e até almejadas pelo rigor de organização permitem a pipoca assim de forma generalizada? ou será que está a defender a pipoca aqui porque se acha isso aqui uma bagunça e então façamos aqui exatamente o oposto do que fazemos e admiramos em outros países?

Dalton Ferreira disse...

Caro Jorge, concordo com o ponto de vista do Claudio Alexandre, as provas organizadas por empresas sao sim um comercio e como todo comercio vc pode participar ou não, ate pode se discutir que como estao usando um espaço publico deveriam pagar uma taxa para este uso , porem nao acho que as pessoas devam ir de pipoca, ate porque espaço para correr tem varios, vc ir em um evento que tem uma programação de agua ou isotonico para um determinado numero de pessoas e se participarem mais, as pessoas que pagaram vao ficar sem. A melhor forma de protestar pelos valores cobrados seria nao participara do evento. Vivemos em um pais capitalista , se nao vc iria ao desfile de escola de samba, futebol ou micareta no espaço de quem pagou?
Um abraço
dalton

Anônimo disse...

Nunca corri na pipoca, mas concordo que correr sem inscrição (utilizando a estrutura da prova e, eventualmente, atrapalhando os corredores inscritos) não é a solução para o problema dos altos preços cobrado pelos organizadores das competições. Eu, particularmente, seleciono as provas que participo, optando por aquelas com melhores condições técnicas e com valores justos. As ruas são espaços públicos, é verdade, mas os espaços públicos podem, em determinadas condições, ser concedidos para fins particulares (quando se monta uma arena esportiva - vôlei, futebol, tênis - na praia, por exemplo). Então, essa questão do direito de ir e vir é relativa. O melhor seria que o poder público, ao ceder esses espaços para os particulares, exigisse a reserva de um determinado número de vagas para corredores de baixa renda, devidamente cadastrados como tal. Essas vagas seriam distribuídas, gratuitamente, mediante sorteio/rodízio entre os interessados. Não parece uma boa solução?
João Pedro Xavier

Anônimo disse...

Discordo completamente. Vejam o exemplo dos estádios de futebol. Se o ingresso é caro, o público não comparece. Quer dizer então que se alguém resolver pular o muro pra assistir de graça e for impedido, estará sendo discriminado? Eu nunca fui de pipoca e nunca irei. Simplesmente eu corro as corridas que me interessam e que eu posso pagar. Simples assim.
Antônio Carlos Régis

Marcelo Assunção disse...

Quem organiza corridas não tem que atender a todo mundo que resolver aparecer na rua. Assim como quem faz um piquenique no parque público não tem que dar comida pra todo mundo que aparece. O desfile de Carnaval é numa rua, mas isso não me dá o direito de entrar e desfilar no meio das alas. Todo mundo sabe disso, não sabe?

Nos dias em que tem corrida na qual não estou inscrito, eu corro em outro lugar. Simples assim.

Marcelo Assunção disse...

Quem organiza corridas não tem que atender a todo mundo que resolver aparecer na rua. Assim como quem faz um piquenique no parque público não tem que dar comida pra todo mundo que aparece. O desfile de Carnaval é numa rua, mas isso não me dá o direito de entrar e desfilar no meio das alas. Todo mundo sabe disso, não sabe?

Nos dias em que tem corrida na qual não estou inscrito, eu corro em outro lugar. Simples assim.

Rita Queiroz disse...

Jorge, uma honra tê-lo nos comentários do blog. Obrigada!

Sobre o post.

Rua é espaço público! Simples,não?!
Quer fazer o percurso da prova pq é bacana ou pq os amigos vão e vc tá sem grana ou acho muito caro?! Vai lá e corre! Não vejo problema nenhum. Mas deve ter respeito! Já vi muito pipoca pegando medalha. Aí não rola,né amigo?!

Uma empresa propagandear algo contra qualquer corredor é, no mínimo, ridículo!

Abraços, Jorge!

DricaPeixoto disse...

Eu acho que se o ambiente foi fechado para a corrida (Autódromo de São Paulo, Avenida Niemeyer) o corredor que não está inscrito não deveria fazer uso dele.
Agora se o local é fechado para lazer e os organizadores resolvem usar aquele espaço para uma determinada prova (Aterro do Flamengo e Orla de Copacabana, por exemplo), não podemos criticar quem resolve utilizar aquele espaço para treinar.
O que faço quando tenho que treinar e existe uma prova em um desses locais é não usar os recursos disponibilizados por eles e muito menos atravessar o pórtico, normalmente eles deixam um espaço para que os não participantes possam atravessar o percurso sem precisar utilizar o pórtico. Nos treinos longos tenho evitado o Aterro justamente por conta das provas, mas vai chegar um momento que precisarei utilizá-lo.
Eu procuro não incentivar essa pratica e acho que algumas provas realmente poderiam praticar preços menores.
Bela iniciativa sua em divulgar o texto do Matheus Henrique.

ggranado disse...

que viagem na maionese, essa campanha não tem nada demais, não há preconceito algum nela.

Cassia Santana disse...

Jorge, obrigada pelo seu post.
No próximo sábado iria de pipoca pela primeira vez na minha vida, levando a minha água. Embora a rua seja pública, acho extremamente deselegante a pessoa não pagar pra fazer a prova e ainda consumir, água, isotônico e se brincar pegar medalha.
Diante do seu post e da ridícula propaganda dessa organização, nem lá aparecerei. Não me inscrevi porque achei uma prova caríssima, mais ridícula ainda foi fazer uma promoção relâmpago dando desconto de 25,00. Se pode dá um desconto, porque não lançou a prova já no preço atual que ainda é muito caro pra realidade de Salvador?
Farei meu treino com minha água no sábado pela manhã e pronto.
Um grade abraço e obrigada mais uma vez pelo post.
Bjs
Cássia (http://www.cassinhags.blogspot.com.br/)

walter disse...

Discordo completamente do ponto de vista apresentado, correr sem inscrição é desrespeito a regra estabelecida pelo poder público. O percurso está fechado para um evento privado e em eventos privados somente participa quem paga. Aqui em SP a Marginal Tietê é fechada parcialmente para a Fórmula Indy, não pode passar, se não pagar não entra, e é caro prá caramba, tanto quanto as provas de rua tem ficado; aqui em SBC tem desfile de 7 de setembro no centro, fecha tudo, eu não posso treinar lá, não posso passar e pronto. Não há preconceito quando quem não pode pagar por um evento privado, não participa. Eu acho a São Silvestre caríssima, não participo, mas não vou lá correr sem inscrição, é desrespeito com quem pagou.

Daniel X. disse...

Por mais infeliz que essa campanha seja, acaba tendo o apoio de muitos corredores, pois como o Jorge já disse:
CORREDORES NÃO SÃO UNIDOS!

Minha opinião a respeito é a seguinte:
http://reviewrun.blogspot.com.br/2012/10/corredor-de-verdade-vs-corredor-de.html

Jorge disse...

Pessoal veja bem, não é de minha autoria esse texto e sim do amigo Matheus Henrique de SP, pois o mesmo me autorizou a postar aqui no blog o texto dele...

Bom li todos os comentários que deixaram aqui, não acho justo um corredor que não pagou usar a estrutura da prova como por exemplo: tomando água, recebendo medalha e comendo o lanche...Mas não concordo com o que alguns organizadores tem feito impedindo os corredores que não pagaram de passar correndo pelo local da prova...Isso eles não podem impedir pq o espaço é público...Bons treinos a todos.

Jorge Cerqueira
www.jmaratoan.com

Unknown disse...

Vou comentar da mesma maneira que comentei na postagem deles. A rua está lá, ninguem pode me impedir de correr nela, e eu já pago por ela, e bem caro por sinal! agora pegar a agua que voce não pagou é roubo!!

Anônimo disse...

Sinceramente observo que a cada dia as corridas de rua ficam mais bagunçadas: corredores infiltrados como pipoca; homem correndo com número/chip de mulher e aparecendo na classificação final como se fosse a mulher; corredores inscritos no 10K e correndo 5K com tempo oficial publicado como se fosse do 10K; percursos e pessoas de 5K e 10K embolados; etc. Abusos e má fé de toda a natureza. O valor das inscrições aumenta mas os controles efetivos não melhoram. Tudo isso desmotiva bastante.