sexta-feira, 9 de março de 2012

Morte na corrida: por que acontece? Como evitar? Especialistas explicam

A matéria abaixo saiu no Globo Esporte, estou divulgando aqui para que todos tenham consciências e saibam o quanto é bom correr, mas tem que se cuidar.

Por Paula Gabrielle Rio de Janeiro

Cada vez mais comum, atletas infartam ao finalizar provas por falta de acompanhamento médico e por não saberem identificar o limite do corpo

No Brasil, em Hong Kong ou em qualquer parte do mundo o assunto que está em evidência é a morte em corridas de rua. Na semana passada, dois atletas, o chinês Lau, de 26 anos, e o brasileiro Antônio Donizete, de 54 anos, morreram pelo mesmo motivo: ataque cardíaco após completarem a Meia Maratona de Hong Kong, na China, e a Volta ao Cristo, em Minas Gerais. Apesar de o jovem ter sido atendido imediatamente, não aguentou o infarto. Antônio chegou a ser levado ao hospital, ficou internado por um dia, mas não resistiu.
Atletas infartam ao finalizar provas por falta de acompanhamento médico e sobrecarga (Foto: Getty Images)
Algumas perguntas que ficam na cabeça dos atletas praticantes do esporte são: por que isso acontece? Tem como evitar? Será que estou me preparando de forma errada? Afinal, o que fazer? O cardiologista Paulo Roberto Carvalho e o preparador físico, especializado em corridas, Ângelo Santiago conversaram com o GLOBOESPORTE.COM e explicaram um pouco mais sobre o assunto.
- Os casos de infarto no miocárdio, também conhecido como ataque cardíaco, são encontrados mais em homens, apesar de que nas mulheres têm aumentado muito. Para ser mais claro, o órgão necessita de sangue arterial, rico em oxigênio e esse infarto é a morte dos músculos do coração, ocasionado pela insuficiência de circulação sanguínea - disse o cardiologista.
De acordo com Paulo Carvalho, antes de praticar qualquer atividade física, é necessário realizar uma gama de exames. O mais comuns são o hemograma, famoso check-up completo, e o teste de esforço físico, que permite detectar a presença de doenças arteriais, algum problema cárdio-respiratório ou alterações do ritmo cardíaco desenvolvidas pelo esforço. A pessoa deve se prevenir e ficar atenta aos fatores de risco (saiba como no infográfico abaixo).
É importante ter a ajuda de um profissional de Educação Física para orientar e aconselhar na corrida. Ângelo trabalha há 13 anos no ramo e não se cansa de dar as mesmas recomendações aos seus alunos. O profissional prioriza tanto a parte física, quanto a alimentação de seus atletas. Para ele, o que também não pode ser deixado de lado é a ida ao ortopedista porque alguns problemas podem ser detectados através dos formigamentos que a pessoa sente pela má postura ou anormalidades na coluna.

- Antes de treinarem comigo, eu peço os exames para ver se está tudo bem. Após essa etapa, inicio o treino leve para a pessoa se adaptar. Mas não adianta ser atleta só de fim de semana. A atividade física tem que ser regular, repetitiva. Se não treinar várias vezes, o organismo não acostuma e fica sobrecarregado. Não esquecendo que a dieta tem que ser saudável, com pouca gordura e rica em vitaminas - falou Ângelo.


Corredor chinês tem infarto fulminate após Meia

Maratona de Hong Kong (Foto: AFP)
O treinador acrescentou uma informação de suma importância: entender os limites do organismo é fundamental! Se no dia em que estiver treinando ou competindo, o corredor começar a sentir dores no peito, palpitações, enjoo e falta de ar, ele deve parar imediatamente e não insistir porque há algo de errado. O que a maioria também faz, e não deveria, é interromper a corrida de maneira brusca. Como o corredor acelera nos metros finais, esquece de diminuir a velocidade aos poucos. O correto continuar correndo devagar até parar totalmente.
Não é possível modificar algumas causas do infarto, como a genética, mas outros fatores podem ser evitados. Por muitas vezes, o incidente acontece com pessoas que nunca sentiram nada. Noites mal dormidas, alimentação inadequada, altas doses de álcool, falta de condicionamento físico e mudança de temperatura são prejudiciais. Todo excesso faz mal. Por isso, sempre tem que ficar ligado no que o corpo diz.
Enquanto o socorro não chega, devem ser tomadas algumas precauções: evitar que a pessoa faça qualquer tipo de esforço físico, afrouxar as roupas e não oferecer bebidas ou calmante em nenhuma hipótese"
Paulo Roberto Carvalho
- Caso o corredor tenha um ataque cardíaco, ele deve ser levado ao hospital ou ser socorrido imediatamente. Enquanto o socorro não chega, devem ser tomadas algumas precauções: evitar que a pessoa faça qualquer tipo de esforço físico, afrouxar as roupas e não oferecer bebidas ou calmante em nenhuma hipótese - concluiu o cardiologista.
Depois de tantas informações e de casos de morte na corrida, só se prejudica quem quiser. Seguindo as orientações dos médicos e dos especialistas do esporte, o atleta pode praticar a corrida de forma consciente e tranquila.


Alguns casos de mortes em corridas

James Fixx - O escritor, um dos maiores incentivadores da corrida, começou a correr aos 35 anos, largou o cigarro e emagreceu mais de 20kg. Com colesterol alto e se recusando a fazer o teste de esforço, morreu aos 52 anos, em 1984, de ataque cardíaco, quando participava de uma prova de 7Km. Seu pai morreu aos 43 anos também de ataque cardíaco.

José Carlos Gomes - Em 2008, o brasileiro morreu na Maratona de Nova York após completar a prova. O atleta, 58 anos, cruzou a linha de chegada, passou mal e, após o primeiro atendimento no local, foi encaminhado para um hospital de Manhattam, onde não resistiu.

Daniel Langdon, Rick Brown e Jon Fenlon - Em 2009, os organizadores da Maratona de Detroit informaram que os corredores de 36, 65 e 26 anos, respectivamente, morreram por problemas cardíacos. Daniel morreu pouco após completar 17 quilômetros; Rick faleceu próximo ao local, e Jon não resistiu após cruzar a linha de chegada.
Curiosidade
Estátua de Filípides em Atenas

(Foto: John Kolesidis/Reuters)
Filípides não era um atleta, de fato, mas a maratona foi criada em homenagem a ele. A lenda diz que em 490 a.C., o soldado correu entre Maratona, cidade grega, e Atenas, uma distância de 42km, para comunicar uma vitória militar. Logo após dizer "vencemos",  caiu morto, mas com a missão cumprida. A lenda deu nome à prova do atletismo e a tragédia do protagonista ainda se repete. A maratona integrou o programa da primeira Olimpíada moderna, em 1896, em Atenas.

5 comentários:

CORRIDAS DE RUA disse...

Muito interessante e muito boa a iniciativa de colocar uma matéria como essa.
Forte abraço.

Vannucci Jr.

Gislane Freire disse...

Muito boa a matéria Jorge! Gostei.

Correr é muito bom mas tem que se cuidar mesmo. Cuido da alimentação e procuro sempre estar em dia com as visitas ao médio, é muito importante e merece toda atenção.

Abraço. Gi

Paulo Corrida de Rua BH disse...

Boa reportagem e muito boa iniciativa sua de colocar no blog. Realmente temos que tomar todos os cuidados necessários para que nada aconteça conosco.

Parabéns Jorge.

PauloBH

Samuel disse...

Grande Jorge

O assunto é de fundamental importância para todos nós inclusive aos familiares dos atletas que devem cobrar do corredores a necessidade de se fazer os exames cardiológicos periodicamente.

Karen disse...

Muito bom esse posto Jorge. É um assunto realmente importante! Bjss